Crise das memórias: por que celulares, computadores e outros eletrônicos podem ficar mais caros em 2026

A explosão da inteligência artificial está provocando um efeito inesperado no mercado de tecnologia: a alta no preço das memórias. O impacto já chegou aos smartphones e computadores e pode continuar ao longo de 2026 e 2027.

Se você está pensando em comprar um celular, notebook ou montar um computador novo, talvez tenha percebido que os preços estão ficando mais altos. Um dos principais motivos está em um componente que normalmente passa despercebido: a memória.

A memória RAM ficou muito mais cara

Dados recentes mostram uma forte valorização dos chips de memória. Segundo informações divulgadas pela TrendForce, os preços de contrato da DRAM convencional chegaram a subir entre 90% e 95% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a NAND Flash também apresentou fortes altas no segundo trimestre.

O motivo está diretamente relacionado ao crescimento da inteligência artificial.

As mesmas fabricantes que produzem memórias utilizadas em celulares e computadores também fabricam componentes de alto desempenho, como as memórias HBM utilizadas nas GPUs dos grandes data centers de IA.

E existe uma diferença importante: o mercado de inteligência artificial é muito mais lucrativo para os fabricantes de memória.

Com isso, parte da capacidade de produção está sendo direcionada para servidores e data centers, reduzindo a disponibilidade para o mercado tradicional de PCs, notebooks e smartphones.

O impacto já chegou aos celulares

As fabricantes começaram a repassar esses custos aos consumidores.

O Google, por exemplo, aumentou o preço do Pixel 11 e reconheceu publicamente que o aumento dos custos de memória foi um dos fatores responsáveis pela alta.

A Samsung também já enfrenta o problema. No Brasil, o Galaxy S26 Plus chegou com preço superior ao seu antecessor, enquanto a empresa adotou fornecedores diferentes para garantir o abastecimento de chips LPDDR5X.

Outro movimento interessante é a diferenciação das configurações.

Em vez de simplesmente aumentar o preço de todos os aparelhos, fabricantes podem oferecer mais memória apenas nas versões premium, enquanto modelos de entrada passam a utilizar configurações mais modestas.

O consumidor pode receber menos pelo mesmo preço

Esse pode ser um dos efeitos mais importantes da atual crise.

Assim como acontece em outros setores quando os custos aumentam, as fabricantes podem tentar manter determinados preços reduzindo a quantidade de memória oferecida.

Na prática, isso significa que um smartphone de uma próxima geração pode custar praticamente o mesmo que o modelo anterior, mas trazer menos RAM.

Em alguns casos, a estratégia pode ser compensada aumentando outro componente, como o armazenamento interno, criando a impressão de que o produto recebeu um upgrade.

Por isso, comparar apenas o preço e a capacidade de armazenamento pode não ser suficiente. RAM, processador, armazenamento e demais componentes precisam ser analisados em conjunto.

E os computadores?

O impacto não está restrito aos smartphones.

A memória RAM e os SSDs também estão diretamente ligados à cadeia de produção afetada pela demanda dos data centers. Isso pode aumentar o custo de computadores, notebooks, servidores e componentes vendidos separadamente.

Segundo dados citados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, os fabricantes brasileiros já repassaram aumentos relevantes em computadores e smartphones, enquanto os componentes de memória passaram a representar uma parcela maior do custo desses produtos.

Para quem pretende montar um PC, portanto, esperar indefinidamente por uma queda nos preços pode não ser a melhor estratégia.

A inteligência artificial está mudando o mercado de tecnologia

O mais interessante dessa situação é que não estamos diante simplesmente de uma falta de matéria-prima.

O problema está principalmente na prioridade de produção.

Os data centers responsáveis pelo treinamento e funcionamento de grandes modelos de inteligência artificial precisam de enormes quantidades de memória de alto desempenho.

Enquanto a demanda por IA continua crescendo, os fabricantes encontram maior retorno financeiro atendendo esse mercado.

O resultado acaba chegando ao consumidor comum na forma de componentes mais caros.

O que esperar daqui para frente?

A tendência é que os preços continuem pressionados enquanto a expansão dos data centers de inteligência artificial permanecer acelerada.

Isso pode provocar algumas mudanças no mercado: